Multiversalismo

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Multiversalismo

Post  Lucretia Dalencourt on Mon Aug 13, 2018 10:52 pm



‘’Me dê um momento senhor, e eu lhe  explicarei tudo, literalmente Tudo. O universo! Constatando de forma simples, o cosmos funciona da seguinte maneira: Em qualquer mundo aonde a vida está presente, toda possível permutação da ‘’realidade’’ existe.
Existem no mesmo espaço, mas em planos dimensionais distintos!’’

‘’Todas as histórias são reais, cada uma delas. Todos os mitos, todas as lendas, todas as fábulas. Se você crê que são reais, então são reais. Se você não crê, então tudo que se pode dizer é que são reais para outra pessoa.’’-Dave Sim

"Agora eu acho que entendo. O que eu estava vendo era a multiplicidade de realidades parcialmente atualizadas repousando tangencialmente sob o que evidentemente era a mais atualizada, aquela cujo a maioria de nós, que por consenso universal, concordamos. Apesar de que originalmente eu presumi que a diferença entre esses mundos era causada inteiramente pela subjetividade dos vários pontos de vista humanos, não demorou muito tempo para que eu me abrisse a questão de que talvez fosse algo além disso – que na verdade realidades plurais existam sobrepostas umas as outras como muitas transparências de filmes.

O que eu não compreendi ainda, entretanto, é como uma realidade entre muitas se atualiza em contradição às outras . Talvez nenhuma faça isso. Ou quem sabe, novamente, se apoie sob um acordo sobre determinado ponto de vista por um número suficiente de pessoas.’’ –Philip K. Dick

“Magia para mim é sobre uma relação mais dinâmica com a nossa consciência, um modo mais dinâmico de entende-la ; o que a consciência é, o que o pensamento é. Pois o pensamento é o ponto cego da ciência. Não podemos falar em termos de lógica cartesiana e experimentos empíricos quando  falamos sobre a mente... Eu estava pensando e talvez seja necessário um modelo diferente para a consciência. Eu venho com esse modelo e eu não digo que é novo. É a ideia do espaço das ideias... aonde filosofias são massas de terras e religiões são provavelmente países inteiros, podem conter flora e fauna que são nativos deles, criaturas desse mundo conceitual que são feitas de ideias do mesmo modo que criaturas do mundo material são feitas de matéria.  Isso pode concebivelmente explicar fantasmas,anjos,demônios,deuses,alienigenas grey,elfos,fadas.'' -Alan Moore

Eu gastei uma grande parte da minha vida investigando várias filosofias,escolas de pensamento e reinos de experiência, tentando encontrar o sentindo do mundo em que estou. Tendo achado todos os sistemas de crença insatisfatórios, eu tentei criar alguns. Minha última (e creio que seja a melhor) tentativa é algo que chamo de ‘’Multiversalismo.’’

A ideia básica do Multiversalismo é um tipo de niilismo invertido, no qual qualquer coisa imaginável é pensada existir num extenso Multiverso de ideias. Isso é similar a hipótese matemática universal do físico Max Tegmark, aonde o conjunto de todas as estruturas matemáticas define a totalidade da existência. O Multiversalismo leva a ideia de Tegmark  muito além ao dizer que o conjunto de todas as construções mentais de qualquer tipo – matemáticas, mitológicas, artísticas, mágicas, alucinatórias, etc. –  definem um extenso grupo de possibilidades de realidade multiversal. Todos os deuses míticos,heróis ficcionais, reinos de fantasia, mundos oníricos e entidades sobrenaturais são reais  – eles apenas habitam diferentes dimensões dentro de um extenso multiverso mental.  Pontos de vista similares já foram sugeridos por artistas e místicos ao longo das eras, mas a maior parte deles caíram no descrédito e obscuridade no mundo ocidental desde (o assim chamado) Iluminismo.

Ao passo que a ciência moderna tem adotado  modelos de multiverso que soam cada vez mais esotéricos como o de Tegmark, e a tecnologia tem escurecido a distinção entre mundos reais e imaginários, talvez teremos uma nova convergência da ciência,arte e misticismo ao redor de um ponto de vista como o Multiversalismo.

Eu desenvolvi o Multiversalismo pois eu percebi que todo sistema de crença Universalista parece colapsar sob escrutínio em um incompleto,incompreensível,emaranhado tautológico de premissas não verificáveis, contradições lógicas e perspectivas limitadas.  Eu simplesmente não podia encaixar minha mente em nenhuma das caixas disponíveis!  Por um tempo, isso me levou  a adotar o niilismo como única filosofia consistente com minha experiência.  Mas eu posso ter encontrado um caminho pra fora do beco sem saída mental do niilismo por adotar um olhar mais criativo as possibilidades desse mundo.  Schopenhauer falou sobre o  “mundo como vontade e ideia”; Eu ofereço uma equação similar: O mundo como Caos e Imaginação.

Alguns pensadores que influenciaram fortemente minha perspectiva Multiversalista incluem: Philip K. Dick, Terence McKenna, Carl Jung,
Friedrich Nietzsche, Jack Kirby, H.P. Lovecraft, Aleister Crowley, Frank Herbert, Robert Heinlein e Alan Moore.  Se você é familiar com o trabalho desses homens, então você deve ter notado uma ênfase recorrente no poder ilimitado da mente criativa de dar sentido a existência, ceticismo radical contra qualquer forma de totalitarismo intelectual, e reverencia a imaginação como canal para a verdade cósmica.  Eu vejo tais homens como shamans modernos, operando numa civilização que não tem mais um nome para esse tipo de pessoa.

Eu não inclui nenhum cientista na minha lista porque, apesar de reverenciar a magia matemática de Einstein, Dirac e Feynman, Eu acho as suas perspectivas um pouco estreitas e dogmáticas de mais pro meu gosto. Cientistas ortodoxos nunca parecem dispostos a considerar qualquer coisa muito longe das caixas de suas próprias mentes racionais, ou explorar a consciência que filtra todas as  observações  cientificas. Para mim essas são limitações fatais no paradigma cientifico atual.

Uma consequência divertida do Multiversalismo é que ele provem uma justificação filosófica para ‘’trollar,’’ uma atividade que eu gosto muito. Sempre que alguém promove um sistema de crença em particular na internet ou sugere que monopolizou o mercado em algum aspecto da verdade, eu me sinto compelido a argumentar a posição oposta. Ao fazer isso, eu frequentemente apoio posições que são 180 graus opostos um dos outros, enquanto que não tenho senso de contradição.

De acordo com minha filosofia multiversalista, ambas posições estão corretas em algum lugar no multiverso de mundos possíveis, e podem portanto ser defendidos. Ao trollar dessa forma, Eu não estou buscando desacreditar sistemas de crença como um ideólogo, nem destruir todas as ideologias como um desconstrucionista, mas defender todos os sistemas de crença de ataques de ideólogos e desconstrucionistas.

Multiversalismo é portanto a derradeira filosofia construcionista, e é o Universalismo – a crença em uma verdade que substituiu todas as outras –  que é niilista.  A diferença entre Universalismo e Niilismo é apenas um sistema de crenças; a diferença entre Multiversalismo e Niilismo é uma infinidade de sistemas de crenças!

Em particular, o Multiversalismo considera o projeto cientifico de estabelecer as leis de uma singular e objetiva realidade algo fútil  equivocado e repugnante.  A campanha dos Novos Ateistas de impor o totalitarismo epistemológico do método cientifico deve ser resistido assim como o dogma cristão era no tempo de Galileu. Se algum subconjunto da humanidade deseja coletivamente imaginar um deus e o adorar, eles devem ser livres para tal sem difamação.  Qualquer ‘’tirania do real’’ deve ser derrubada em favor da liberdade ilimitada da imaginação criativa. A Arte se torna mais importante em uma civilização Multiversalista, pois enquanto a ciência descreve as leis e os limites deste universo, a arte encontra um meio de quebra-las.

Você não gosta de um universo de velocidade limite de trezentos mil quilômetros por segundo?  Imagine um universo sem um, e use as artes tecnológicas para criar um mundo arbitrariamente real aonde tal limite não existe. A fronteira final do multiverso não são portando as  três dimensões do espaço sideral, mas o infinito-dimensional caos criativo do espaço interno.

Talvez o conhecimento mais profundo que posso tentar sugerir é que o multiverso de ideias é idêntico a consciência em si. Todo tipo de realidade surge da consciência. Tudo que estamos conscientes é real. A mente e o multiverso, portanto, são uma coisa só. Realmente parece para mim que os místicos pré-científicos estavam certos o tempo todo: A realidade é uma construção mental criada e explorada pela tecnologia da imaginação.

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"All stories are true, every last one of them. All myths, all legends, all fables.  If you believe them true, then they are true. If you don't believe them, then all that can be said is that they are true for someone else." –Dave Sim

"Now I think I understand. What I was sensing was the manifold of partially actualized realities lying tangent to what evidently is the most actualized one, the one wich the majority of us, by consensus gentium, agree on. Although originally I presumed that thedifferences between these worlds was caused entirely by the subjectivity of the various human viewpoints, it did not take me long to open the question as to whether it might not be more than that -that in fact plural realities did exist superimposed onto one another like so many film transparencies. What I still do not grasp, however, is how one reality out of the many becomes actualized in contradistinction to the others. Perhaps no one does. Or pehaps again it hangs on an agreement in viewpoint by a sufficiency of people." –Philip K. Dick

“Magic to me is about a more dynamic relationship with our own consciousness, a more dynamic way of understanding it; what consciousness is, what thought is. Because thought is the blind spot of science. We cannot talk in terms of Cartesian logic and empirical experiments when you're talking about the mind... I was thinking maybe you need a different model of consciousness. I came up with this model and I'm not claiming its new. It's the idea of the Idea Space...where philosophies are land masses and religions are probably whole countries, might contain flora and fauna that are native to it, creatures of this conceptual world that are made from ideas in the same way that we creatures of the material world are made from matter. This could conceivably explain phantoms, angels, demons, gods, djinns, grey aliens, elves, pixies.” –Alan Moore

I’ve spent a large part of my life investigating various philosophies, schools of thought and realms of experience, trying to make some sense of the world I find myself in.  Having found all existing belief systems unsatisfactory, I’ve attempted to create a few of my own. My latest – and I think greatest – try is one I’m calling “Multiversalism.”

The basic idea of Multiversalism is a kind of inverse nihilism, in which everything imaginable is thought to exist in a larger Multiverse of ideas.  This is similar to physicist Max Tegmark’smathematical universe hypothesis, according which the set of all mathematical structures defines the totality of existence.  Multiversalism takes Tegmark’s idea further by positing that the set of all mental constructs of any kind – mathematical, mythological, artistic, magical, hallucinatory, etc. – defines the largest possible multiversal reality.  All the mythical gods, fictional heroes, fantasy realms, dream worlds and supernatural entities are real – they just inhabit different dimensions within the larger Multiverse of mind.  Similar worldviews have been proposed by artists and mystics down through the ages, but most of them have fallen into disrepute and obscurity in the Western world since the (so-called) Enlightenment.

As modern science embraces increasingly esoteric-sounding multiverse models like Tegmark’s, and as technology blurs the distinction between real and imaginary worlds, perhaps there will be a new convergence of science, art and mysticism around a worldview like Multiversalism.

I developed Multiversalism because I realized that every Universalist belief system seems to collapse under scrutiny into an incomplete, incomprehensible, tautological tangle of unverifiable assumptions, logical contradictions and limited perspectives.  I simply couldn’t fit my mind into any of the available boxes!  For a time, this led me to embrace nihilism as the only philosophy consistent with my experience.  But I may have found a way out of the nihilist mental cul-de-sac by taking a more creative view of this world’s possibilities.  Schopenhauer spoke of “the world as Will and Idea”;  I offer a somewhat similar equation: the world as Chaos and Imagination.

Some thinkers who have strongly influenced my Multiversalist perspective include: Philip K. Dick, Terence McKenna, Carl Jung, Friedrich Nietzsche, Jack Kirby, H.P. Lovecraft, Aleister Crowley, Frank Herbert, Robert Heinlein and Alan Moore.  If you’re familiar with these men’s work, you should notice a common emphasis on the unlimited power of the creative mind to give life meaning, radical skepticism toward any form of intellectual totalitarianism, and reverence for the imagination as the conduit for cosmic truth.  I see such men as modern shamans, operating in a civilization that no longer has a name for such people.

I didn’t include any scientists on my list because, while I revere the mathematical wizardry of Einstein, Dirac and Feynman, I find their perspectives a bit too narrow and dogmatic for my liking.  Orthodox scientists never seem willing to consider anything too far outside the boxes of their own rational minds, or to explore the consciousness which filters every scientific observation.  To my mind these are fatal limitations of the current scientific paradigm.

One amusing consequence of Multiversalism is that it provides a philosophical justification for “trolling," an activity I very much enjoy. Whenever someone promotes a particular belief system in the internet or suggests that they have cornered the market on some aspect of the truth, I feel compelled to argue the opposite position.  In doing so, I often support positions which are 180 degrees opposed to each other, yet I feel no sense of contradiction.

According to my Multiversalist philosophy, both positions are true somewhere in the Multiverse of possible worlds, and can therefore be defended.  By trolling in this way, I am not seeking to discredit opposing belief systems like an ideologue, nor to destroy all ideologies like a deconstructionist, but to defend all belief systems from the attacks of ideologues and deconstructionists.

Multiversalism is therefore the ultimate constructionist philosophy, and it is Universalism – the belief in one absolute truth system which supersedes all others – which is nihilistic.  The difference between Universalism and Nihilism is only one system of beliefs; the difference between Multiversalism and Nihilism is an infinity of belief systems!

In particular, Multiversalism considers the scientific project to lay down the laws of a single, objective reality futile, misguided and repugnant.  The campaign of the New Atheists to impose the epistemological totalitarianism of the scientific method must be resisted just as Christian dogma was in Galileo’s time.  If some subset of humanity wants to collectively imagine a god and worship him, they should be free to do so without vilification.  Every “tyranny of the real” must be overthrown in favor of the unlimited freedom of the creative imagination. 

Art becomes more important than science in a Multiversalist civilization, because while science describes the laws and limits of this universe, art finds ways to break them.  You don’t like a universal speed limit of three hundred thousand kilometers per second?  Imagine a universe without one, and use the technological arts to create an arbitrarily real virtual world where no such upper bound exists. 

The final frontier of the Multiverse is therefore not the three lawful dimensions of outer space, but the infinite-dimensional creative chaos of inner space.

Maybe the deepest insight I can attempt to offer is to suggest that the Multiverse of ideas is identical to consciousness itself.  All of reality springs from consciousness.  Everything we are conscious of is real.  The mind and the Multiverse are therefore one and thesame.  It really seems to me like the pre-scientific mystics had it right all along: reality is a mental construct created and explored by the technology of the imagination.

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Lucretia Dalencourt

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